Inventário de Riscos Ocupacionais 2026: Passo a Passo Completo
Postado em: 27/01/2026
Introdução
O inventário de riscos ocupacionais é a espinha dorsal do Programa de Gerenciamento de Riscos. Sem inventário completo, preciso e atualizado, todo o PGR perde eficácia e conformidade legal. Com a inclusão obrigatória dos riscos psicossociais a partir de maio de 2026, elaborar inventário adequado tornou-se mais complexo e exigente.
Inventário não é simplesmente listar “ruído, calor, produtos químicos”. É documentar metodicamente cada risco presente no ambiente de trabalho, caracterizar exposição, quantificar trabalhadores afetados, classificar severidade e fundamentar com evidências objetivas.
Segundo análise da Fundacentro de 2025, 63% dos PGRs auditados continham inventários incompletos ou superficiais. Principais falhas: riscos não identificados por falta de avaliação criteriosa, caracterização inadequada sem dados de exposição real, ausência de documentação de metodologia aplicada, falta de atualização periódica.
Inventário deficiente não atende NR-1, expõe empresa a multas e principalmente deixa trabalhadores desprotegidos por não reconhecer perigos aos quais estão expostos.
Neste guia completo você vai aprender:
- Como estruturar inventário que atende NR-1 atualizada incluindo riscos psicossociais
- Metodologias de identificação para cada tipo de risco
- Como caracterizar exposição de forma técnica e completa
- Documentação de evidências que sustenta o inventário
- Erros comuns que invalidam inventários e como evitá-los
- Atualização periódica e gatilhos para revisão
Tempo de leitura: 14 minutos | Atualizado em: Janeiro de 2026
O Que É Inventário de Riscos Segundo NR-1
Definição técnica e finalidade
Inventário de riscos ocupacionais é documento que relaciona todos os perigos e riscos identificados no ambiente de trabalho, organizados de forma sistemática com informações sobre natureza do risco, localização, trabalhadores expostos, nível de exposição e medidas de controle existentes.
NR-1 no item 1.5.4.4 estabelece que inventário deve consolidar informações sobre riscos ocupacionais por grupo similar de exposição, indicando trabalhadores ou grupos expostos, medidas de prevenção e controle existentes, avaliações realizadas e monitoramento.
Finalidade do inventário é tripla: permitir que empresa conheça todos os riscos presentes para poder gerenciá-los adequadamente, fornecer informação clara a trabalhadores sobre perigos aos quais estão expostos, servir de base técnica para elaboração de plano de ação de controle de riscos.
Tipos de risco que devem constar
Riscos físicos:
Ruído contínuo ou intermitente, ruído de impacto, vibrações localizadas ou de corpo inteiro, temperaturas extremas tanto calor quanto frio, radiações ionizantes como raios-x e gama, radiações não ionizantes como ultravioleta e infravermelho, pressões anormais hiperbáricas ou hipobáricas, umidade excessiva.
Riscos químicos:
Poeiras minerais como sílica e asbesto, poeiras vegetais, fumos metálicos, névoas e neblinas, gases como monóxido de carbono e cloro, vapores orgânicos de solventes, substâncias compostas ou produtos químicos diversos.
Riscos biológicos:
Vírus diversos especialmente em serviços de saúde, bactérias patogênicas, fungos e bolores, parasitas, protozoários, bacilos como da tuberculose, contato com animais peçonhentos ou com doenças transmissíveis, contato com pacientes ou material biológico contaminado.
Riscos ergonômicos:
Esforço físico intenso, levantamento e transporte manual de peso, exigência de postura inadequada ou estática prolongada, controle rígido de produtividade, imposição de ritmos excessivos, trabalho em turno e noturno, jornadas prolongadas, monotonia e repetitividade.
Riscos de acidentes ou mecânicos:
Arranjo físico inadequado, máquinas e equipamentos sem proteção, ferramentas inadequadas ou defeituosas, iluminação inadequada, eletricidade com instalações ou equipamentos defeituosos, probabilidade de incêndio ou explosão, armazenamento inadequado de materiais, animais peçonhentos, outras situações de risco que poderão contribuir para ocorrência de acidentes.
Riscos psicossociais – NOVO a partir de 2026:
Demandas psicológicas excessivas, baixo controle sobre o trabalho, suporte social insuficiente, desequilíbrio esforço-recompensa, indefinição de papéis, assédio moral e sexual, violência de terceiros, interface trabalho-vida inadequada, insegurança no emprego, injustiça organizacional.
Metodologia de Identificação de Riscos
Análise preliminar de documentação
Antes de visitar locais de trabalho, analise documentação disponível para entender processos e antecipar riscos prováveis.
Documentos a consultar:
Descrição de processos produtivos ou de prestação de serviços detalhando matérias-primas utilizadas, equipamentos envolvidos, produtos finais, subprodutos e resíduos gerados.
Fichas de informação de segurança de produtos químicos – FISPQ para todos os produtos armazenados ou utilizados. FISPQ identifica perigos, composição química, medidas de primeiros socorros, medidas de combate a incêndio, manuseio e armazenamento.
Plantas e layouts indicando distribuição de setores, máquinas, áreas de armazenamento, rotas de circulação, saídas de emergência.
Inventários anteriores quando existentes permitem comparação e identificação de mudanças.
Relatórios de acidentes e incidentes dos últimos dois anos revelam riscos que já se materializaram.
CATs emitidas indicam agentes que já causaram doenças ocupacionais ou acidentes.
Medições técnicas anteriores de ruído, calor, iluminação, agentes químicos quando disponíveis.
Reconhecimento in loco
Visita aos locais de trabalho por profissional habilitado é indispensável. Análise documental sozinha é insuficiente – realidade frequentemente difere do planejado ou descrito em papel.
Roteiro de reconhecimento:
Percorrer sistematicamente todos os setores da empresa, não apenas áreas produtivas. Escritórios, almoxarifados, refeitórios, vestiários, áreas externas também podem ter riscos.
Observar processos em execução normal. Não confiar apenas em descrição verbal – ver pessoas trabalhando revela posturas, movimentos, ritmo, esforços reais.
Conversar com trabalhadores durante execução de tarefas. Perguntar sobre dificuldades, desconfortos, situações que consideram perigosas. Trabalhador conhece riscos práticos que engenheiro pode não perceber inicialmente.
Fotografar e filmar quando autorizado e apropriado para documentar situações e facilitar análise posterior.
Registrar tudo em check-list ou formulário estruturado para não esquecer aspectos importantes.
Observações específicas por tipo de risco:
Para riscos físicos, identificar fontes de ruído observando máquinas ruidosas e número de trabalhadores próximos. Identificar fontes de calor como fornos, caldeiras, trabalho a céu aberto sob sol. Verificar iluminação observando se é adequada para tarefa visual.
Para riscos químicos, identificar todos os produtos armazenados e utilizados anotando nomes comerciais para posterior consulta de FISPQ. Observar forma de manuseio: produtos são manipulados abertos ao ar? Há exaustão? Trabalhadores usam proteção?
Para riscos biológicos, identificar possibilidade de contato com material biológico, lixo contaminado, esgoto, pacientes, animais.
Para riscos ergonômicos, observar posturas adotadas durante trabalho: agachadas, curvadas, com braços elevados? Observar se há levantamento de peso e qual carga aproximada. Observar repetitividade: mesmos movimentos dezenas de vezes por hora?
Para riscos de acidentes, observar máquinas sem proteção em partes móveis, pisos escorregadios ou irregulares, escadas sem corrimão, materiais empilhados precariamente, fiação elétrica exposta ou emendada.
Para riscos psicossociais, observar ritmo de trabalho: frenético ou tranquilo? Observar interações: líderes falam respeitosamente ou agressivamente? Observar se pessoas param para pausas ou trabalham continuamente.
Avaliações quantitativas
Após reconhecimento qualitativo identificando quais riscos existem, realizar avaliações quantitativas para caracterizar intensidade ou concentração de exposição.
Medições de agentes físicos:
Ruído medido com decibelímetro ou dosímetro calibrado conforme NHO-01 da Fundacentro. Resultado em dB(A) para ruído contínuo ou dB(C) para impacto.
Calor avaliado através de termômetro de globo que mede IBUTG – Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo conforme NR-15 anexo 3.
Iluminância medida com luxímetro comparando com níveis mínimos da NBR ISO/CIE 8995-1.
Vibrações medidas com acelerômetro em mãos-braços ou corpo inteiro conforme NHO-10.
Avaliações de agentes químicos:
Concentração de vapores, gases ou poeiras medida através de amostragem ativa com bomba de aspiração e posterior análise laboratorial. Metodologias seguem NHO-08 e normas NIOSH.
Resultados em mg/m³ ou ppm comparados com limites de exposição ocupacional estabelecidos pela ACGIH ou NR-15.
Avaliações ergonômicas:
Análise de levantamento de carga aplicando equação NIOSH que considera peso, distância horizontal e vertical, frequência, qualidade da pega.
Análise de repetitividade através de check-lists como OCRA ou Strain Index contabilizando ciclos por minuto, força, posturas, pausas.
Avaliações psicossociais:
Questionários validados como COPSOQ que fornecem scores quantitativos por dimensão psicossocial. Indicadores objetivos como taxa de absenteísmo e turnover expressos em percentuais.
Estruturação do Inventário de Riscos
Organização por grupo similar de exposição
NR-1 determina que inventário deve ser organizado por grupo similar de exposição – GSE. GSE é conjunto de trabalhadores que experimentam exposição semelhante aos mesmos riscos de forma que resultado da avaliação de exposição de qualquer trabalhador do grupo seja representativo da exposição do restante.
Como definir GSE:
Trabalhadores da mesma função executando mesmas tarefas com mesmos equipamentos no mesmo ambiente formam GSE natural. Por exemplo, todos os soldadores de uma empresa formam GSE.
Trabalhadores de funções diferentes mas expostos aos mesmos riscos podem formar GSE conjunto. Por exemplo, em marcenaria, operadores de serra, de lixadeira e de tupia são funções diferentes mas todos expostos a ruído e poeira de madeira – podem ser um GSE.
Trabalhadores da mesma função mas em locais diferentes com exposições distintas devem ser separados em GSE diferentes. Por exemplo, operadores de empilhadeira que trabalham em área cobada silenciosa versus operadores que trabalham em área externa barulhenta são dois GSE.
Benefícios da organização por GSE:
Evita repetição desnecessária: caracteriza risco uma vez para grupo inteiro em vez de trabalhador por trabalhador.
Facilita planejamento de medidas de controle: ação aplicada a um GSE protege todos os membros.
Simplifica atualização: quando novo trabalhador entra na empresa e assume função existente, automaticamente está no GSE daquela função sem precisar refazer inventário.
Estrutura de cada item do inventário
Para cada GSE identificado, inventário deve conter informações completas e estruturadas.
Identificação do GSE:
Nome do grupo: “Operadores de caldeira”, “Equipe de limpeza”, “Desenvolvedores de software”, “Atendentes de SAC”.
Setor ou local: “Sala de caldeiras – Subsolo”, “Todo o estabelecimento”, “Departamento de TI – 3º andar”, “Central de atendimento – 2º andar”.
Número de trabalhadores: “2 trabalhadores”, “8 trabalhadores”, “15 trabalhadores”, “35 trabalhadores”.
Turno quando relevante: “Turno fixo diurno 8h às 17h”, “Turnos rotativos cobrindo 24h”, “Apenas período noturno”.
Descrição de atividades:
Resumo das principais tarefas executadas. Não precisa ser descrição minuciosa de cada movimento mas deve dar visão clara do que fazem.
Exemplo: “Operadores de caldeira são responsáveis por ligar, monitorar e desligar caldeiras a gás para geração de vapor utilizado no processo produtivo. Realizam inspeção visual diária, leitura e registro de manômetros e termômetros, regulagem de válvulas, pequenos reparos e limpeza periódica.”
Riscos identificados:
Listar todos os riscos aos quais GSE está exposto organizados por tipo.
Exemplo para operadores de caldeira:
Riscos físicos: Ruído contínuo gerado por queimadores e tubulações de vapor, medido em 88 dB(A). Calor radiante das caldeiras, IBUTG de 28 graus durante verão.
Riscos químicos: Exposição eventual a gases de combustão durante manutenção.
Riscos de acidentes: Risco de queimaduras por contato com superfícies quentes ou vapor. Risco de explosão por falha em equipamentos de segurança. Trabalho em espaço confinado durante limpeza interna de caldeira.
Riscos ergonômicos: Postura em pé durante toda jornada.
Riscos psicossociais: Responsabilidade elevada pois falha pode causar acidente grave. Trabalho noturno em turnos rotativos.
Avaliações realizadas:
Especificar quais medições técnicas foram feitas, quando e por quem.
Exemplo: “Ruído avaliado em 15/março/2026 por Técnico de Segurança João Silva usando decibelímetro Instrutherm DEC-490 certificado de calibração válido até set/2026. Medição realizada durante operação normal por período de 4 horas. Resultado: 88 dB(A) nível médio.”
“Calor avaliado em 20/janeiro/2026 durante verão por Engenheiro de Segurança Maria Santos usando termômetro de globo Instrutherm TGD-400. Resultado: IBUTG 28 graus, regime de trabalho aplicável conforme NR-15 anexo 3 é trabalho moderado em pé que permite trabalho contínuo até IBUTG 26,7 graus. Portanto, exposição está acima do limite exigindo pausas ou controle.”
Medidas de controle existentes:
Listar equipamentos de proteção coletiva – EPC, equipamentos de proteção individual – EPI e medidas organizacionais já implementadas.
Exemplo: “EPC: Caldeiras possuem isolamento térmico reduzindo irradiação de calor. Sala possui ventilação natural através de janelas basculantes. EPI: Trabalhadores utilizam protetor auricular tipo concha 3M Peltor H10A com CA 5745 e atenuação NRRsf 24dB fornecido pela empresa. Luvas de raspa para proteção contra calor durante abertura de válvulas. Medidas organizacionais: Durante manutenção trabalham em dupla para suporte mútuo. Pausas de 15 minutos a cada 2 horas em ambiente climatizado.”
Classificação do risco:
Após considerar exposição e medidas de controle, classificar risco residual em níveis.
Risco baixo quando exposição está muito abaixo de limites e controles são adequados. Não exige ação urgente mas deve ser monitorado.
Risco médio quando exposição está próxima de limites ou controles são parcialmente eficazes. Exige atenção e melhorias preventivas.
Risco alto quando exposição excede limites ou controles são inexistentes ou ineficazes. Exige ação corretiva urgente.
Exemplo: “Ruído: Risco MÉDIO – exposição de 88 dB(A) está acima de 85 dB(A) que é limite para ação preventiva mas abaixo de 90 dB(A) que caracteriza insalubridade. EPI fornecido reduz exposição efetiva. Recomenda-se melhorar EPC através de enclausuramento adicional de fontes.”
“Calor: Risco ALTO – IBUTG de 28 graus excede limite de 26,7 graus para trabalho moderado contínuo. Pausas estão sendo realizadas mas não são suficientes. Necessário melhorar ventilação ou climatização da sala.”
Inventário de Riscos Psicossociais – Detalhamento
Identificação de fatores por GSE
Riscos psicossociais podem afetar toda organização – riscos organizacionais – ou ser específicos de determinados setores ou funções.
Riscos organizacionais:
Aplicam-se a todos os trabalhadores independentemente da função. Exemplo: “Comunicação organizacional deficiente: Informações sobre situação financeira da empresa, mudanças estratégicas e decisões importantes são comunicadas tardiamente ou apenas por canais informais. Afeta totalidade dos 127 trabalhadores. Nível: MÉDIO.”
No inventário, riscos organizacionais podem ser listados em seção separada ou repetidos para cada GSE indicando que aquele fator também afeta aquele grupo.
Riscos específicos de GSE:
Aplicam-se apenas a determinado grupo devido à natureza específica de suas atividades.
Exemplo para GSE “Atendentes de SAC – 35 trabalhadores”:
“Demandas emocionais excessivas: Atendentes lidam diariamente com clientes insatisfeitos, recebendo agressividade verbal incluindo xingamentos e ameaças em aproximadamente 25% das ligações sem protocolo adequado de manejo ou suporte emocional. Nível: ALTO. Evidências: Absenteísmo 6,2% versus 2,8% da empresa, 9 afastamentos por ansiedade em 2025, dimensão ‘demandas emocionais’ do COPSOQ pontuou 82 em zona vermelha.”
“Pressão por tempo médio de atendimento: Meta estabelecida é TMA de 4 minutos que entra em conflito com necessidade de resolver adequadamente problemas complexos. Trabalhadores relatam dilema entre atender bem ou atender rápido. Nível: ALTO.”
Evidências que sustentam identificação
Diferença entre inventário robusto e superficial está nas evidências. Afirmar que existe risco sem fundamentar é opinião; apresentar dados objetivos é técnica.
Tipos de evidência:
Dados quantitativos de questionário validado: “Questionário COPSOQ aplicado a 28 dos 35 atendentes – taxa de resposta 80%. Dimensão ‘demandas emocionais’ obteve score médio de 82 em escala 0-100 onde acima de 67 caracteriza zona vermelha.”
Indicadores objetivos de RH: “Taxa de absenteísmo do setor de 6,2% comparada a 2,8% da média da empresa. Taxa de turnover de 48% ao ano versus 15% dos demais setores.”
Dados de SST: “Foram registrados 9 afastamentos por CID F41 – ansiedade em 2025 neste setor de 35 pessoas, enquanto restante da empresa com 92 pessoas teve apenas 3 afastamentos por mesma causa.”
Relatos qualitativos: “Em entrevistas individuais, 8 dos 10 atendentes entrevistados relataram textualmente sofrer desgaste emocional por agressividade de clientes. Citações: ‘Somos xingados o dia inteiro’, ‘Tenho que ouvir desaforo calada’, ‘Chego em casa mentalmente exausta’.”
Observação técnica: “Durante visita técnica em 18/março/2026, psicóloga do trabalho Ana Costa acompanhou 2 horas de atendimentos e presenciou 4 ligações onde clientes utilizaram linguagem agressiva e palavras de baixo calão dirigidas à atendente, que permaneceu na linha conforme orientação de não desligar.”
Atualização do Inventário
Periodicidade obrigatória
NR-1 estabelece que inventário de riscos deve ser atualizado sempre que implementadas medidas de controle que alterem exposição, quando identificado novo risco, quando alterado processo produtivo ou organização do trabalho, e no mínimo a cada dois anos mesmo na ausência de mudanças.
Atualização bienal:
Mesmo que nada tenha mudado aparentemente, NR-1 exige revisão a cada 24 meses. Objetivo é garantir que inventário não fique desatualizado por inércia.
Revisão bienal deve incluir: nova inspeção visual de todos os setores verificando se processos continuam os mesmos, entrevista com trabalhadores e lideranças perguntando sobre mudanças percebidas, conferência de registros de acidentes e incidentes do período, verificação se novos produtos químicos foram introduzidos, conferência se equipamentos ou máquinas foram substituídos.
Se revisão constatar que nada mudou, documento é assinado novamente com nova data e declaração de que inventário foi revisado e permanece válido.
Se forem identificadas mudanças mesmo que pequenas, inventário é atualizado incorporando alterações.
Gatilhos para atualização imediata
Certos eventos exigem atualização de inventário antes do prazo bienal.
Mudança de processo produtivo:
Empresa que fabricava produto X passa a fabricar produto Y utilizando matérias-primas diferentes. Inventário de riscos químicos muda completamente.
Instalação de nova máquina ou equipamento pode introduzir novos riscos físicos como ruído ou vibração.
Automação de processo manual pode eliminar riscos ergonômicos mas eventualmente introduzir riscos de acidentes relacionados a máquinas.
Mudança organizacional:
Reestruturação que altera funções, hierarquias ou processos de trabalho pode criar ou modificar riscos psicossociais.
Fusão ou aquisição onde cultura organizacional muda drasticamente.
Crescimento abrupto onde número de trabalhadores dobra em curto período alterando dinâmicas de trabalho.
Identificação de novo risco:
Acidente ou doença ocupacional que revela risco que não estava no inventário deve disparar atualização imediata incluindo aquele risco.
Fiscalização ou auditoria que aponta risco não reconhecido.
Trabalhador ou CIPA que reporta situação de perigo não documentada.
Implementação de medidas de controle:
Após instalar enclausuramento acústico que reduz ruído, atualizar inventário refletindo novo nível de exposição reduzido.
Após contratar pessoas adicionais que eliminaram sobrecarga de trabalho, atualizar inventário de riscos psicossociais indicando que aquele fator foi controlado.
Documentação de mudanças
Quando inventário é atualizado, é importante documentar o que mudou e por quê para criar histórico rastreável.
Controle de versões:
Cada versão do inventário recebe número e data. Exemplo: “Inventário de Riscos Ocupacionais – Versão 3.0 – Março de 2026”.
Manter arquivo de versões anteriores permite comparação temporal e rastreamento de evolução dos riscos.
Registro de alterações:
Seção do documento ou documento separado que lista mudanças entre versões.
Exemplo: “Alterações da versão 2.0 – Janeiro 2024 para versão 3.0 – Março 2026: Incluída seção 7 completa sobre Riscos Psicossociais conforme atualização da NR-1. GSE ‘Operadores de caldeira’ removido pois caldeira foi desativada e substituída por aquecimento elétrico. GSE ‘Equipe de expedição’ teve número de trabalhadores aumentado de 8 para 12 e risco de sobrecarga reclassificado de ALTO para MÉDIO após contratações. Atualizado nível de ruído do GSE ‘Setor de corte’ de 92 dB(A) para 86 dB(A) após instalação de enclausuramento acústico em fevereiro de 2026.”
Erros Comuns em Inventários
Erro um: Inventário genérico copiado
Empresa baixa modelo de inventário da internet ou copia de outra organização apenas trocando logomarca e razão social. Riscos listados são genéricos sem especificidade daquela empresa.
Como identificar esse erro:
Descrições vagas: “Trabalhadores expostos a ruído” sem especificar fonte, intensidade, número de pessoas.
Ausência de dados de medições: não há valores numéricos, apenas menções genéricas.
Linguagem padronizada que claramente não foi escrita para aquela empresa específica.
Por que é problema:
Inventário genérico não reflete realidade específica. Pode listar riscos inexistentes e omitir riscos reais. Auditor fiscal identifica facilmente por inconsistências.
Empresa que usa inventário copiado não conhece seus próprios riscos, portanto não consegue controlá-los adequadamente.
Como evitar:
Sempre elaborar inventário específico baseado em avaliação real in loco daquela empresa particular. Cada organização tem combinação única de processos, equipamentos, materiais e organização do trabalho que gera perfil único de riscos.
Erro dois: Inventário desatualizado
PGR datado de 2020 ou 2021 sem revisão posterior. Processos mudaram, equipamentos foram substituídos, pessoas foram realocadas, mas inventário permanece inalterado.
Como identificar:
Data do documento é antiga. Funcionários mencionados no inventário não trabalham mais na empresa ou mudaram de função. Equipamentos listados já foram desativados ou substituídos. Número de trabalhadores por setor está completamente diferente da realidade atual.
Por que é problema:
Inventário desatualizado não cumpre função de refletir riscos atuais. Decisões de controle baseadas em inventário antigo são ineficazes ou mal direcionadas. NR-1 exige atualização mínima bienal – documento com mais de dois anos sem revisão está em desconformidade.
Como evitar:
Estabelecer rotina de revisão bienal obrigatória mesmo sem mudanças aparentes. Criar gatilhos automáticos: sempre que houver mudança de processo, instalação de equipamento, reestruturação organizacional, acionar atualização de inventário. Designar responsável pela gestão do PGR que monitora necessidade de atualizações.
Erro três: Ausência de evidências
Inventário afirma que determinado risco existe mas não apresenta dados, medições ou fundamentação que sustente a afirmação.
Exemplo do erro:
“Trabalhadores da produção estão expostos a ruído elevado.” Não especifica quantos trabalhadores, qual fonte de ruído, qual intensidade, se foi medido quando e por quem, se há controles, qual nível de risco.
Por que é problema:
Sem evidências, inventário é opinião não técnica. Impossível planejar controles adequados sem saber intensidade real de exposição. Auditor fiscal questionará validade do documento.
Como evitar:
Sempre realizar e documentar avaliações. Para agentes físicos e químicos, fazer medições quantitativas com instrumentos calibrados. Para ergonomia, aplicar ferramentas reconhecidas como equação NIOSH ou check-lists validados. Para psicossociais, aplicar questionários validados e coletar indicadores objetivos. Documentar metodologia: o que foi medido, quando, por quem, com qual equipamento, qual resultado numérico.
Erro quatro: Omissão de riscos psicossociais
Inventário atualizado em 2026 mas sem seção de riscos psicossociais ou com parágrafo superficial genérico alegando inexistência de fatores relevantes.
Como identificar:
PGR não tem seção dedicada a riscos psicossociais. Ou tem seção nominal mas sem conteúdo real: “Foram avaliados riscos psicossociais e não foram identificados fatores preocupantes. Ambiente de trabalho é saudável.”
Por que é problema grave:
A partir de 26 de maio de 2026, ausência de riscos psicossociais adequadamente documentados no inventário é infração que gera multa. Qualquer empresa tem fatores psicossociais – negar sua existência sem avaliação técnica é inverossímil e demonstra descumprimento da NR-1.
Como evitar:
Realizar avaliação técnica de riscos psicossociais conforme descrito no Artigo 2 desta série. Aplicar metodologia validada, coletar evidências, documentar resultados. Inventário deve listar especificamente quais fatores foram identificados mesmo que alguns sejam de nível baixo. Inexistência total de qualquer risco psicossocial não é crível em nenhuma organização.
Como a Climec Elabora Inventários Completos
Metodologia rigorosa de campo
Equipe técnica Climec não faz inventário de gabinete. Realizamos avaliação presencial em todas as empresas que atendemos.
Visita técnica estruturada:
Engenheiro de segurança percorre todos os setores acompanhado de representante da empresa que conhece processos. Não pulamos áreas – visitamos produção, almoxarifado, escritórios, áreas externas, tudo.
Observamos processos em execução normal, não apenas instalações paradas. Conversamos com trabalhadores perguntando sobre dificuldades e riscos percebidos.
Fotografamos situações relevantes para documentação e análise posterior. Utilizamos check-list padronizado garantindo que não esquecemos de avaliar nenhum tipo de risco.
Medições técnicas quando necessário:
Possuímos equipamentos calibrados próprios: decibelímetro, termômetro de globo, luxímetro, anemômetro. Realizamos medições durante visita quando possível.
Para agentes químicos que exigem análise laboratorial, orientamos empresa sobre coleta de amostras ou contratamos laboratório parceiro.
Para riscos psicossociais, aplicamos questionário COPSOQ validado, realizamos entrevistas estruturadas, analisamos indicadores de RH fornecidos pela empresa.
Documentação técnica completa
Inventário elaborado pela Climec contém todas as informações exigidas pela NR-1 organizadas de forma clara e técnica.
Para cada GSE documentamos:
Identificação completa com nome do grupo, setor, número de trabalhadores, turno, descrição das atividades principais.
Lista exaustiva de todos os riscos identificados organizados por categoria: físicos, químicos, biológicos, ergonômicos, acidentes, psicossociais.
Para cada risco: descrição específica da fonte ou fator, caracterização da exposição com dados quantitativos quando aplicável, número de trabalhadores expostos, medidas de controle existentes detalhando EPCs EPIs e controles organizacionais, avaliação técnica realizada com data equipamento responsável e resultado, classificação de nível de risco em baixo médio ou alto com justificativa.
Evidências anexas:
Relatórios de medições técnicas com gráficos e planilhas de dados brutos.
Certificados de calibração de equipamentos utilizados.
Fotografias numeradas com legendas explicativas.
Para riscos psicossociais: relatório de tabulação de questionário com gráficos de distribuição de respostas, síntese de entrevistas com citações relevantes anonimizadas, planilhas com indicadores de absenteísmo turnover e afastamentos.
Formato que facilita gestão
Inventário não é documento estático para arquivar mas ferramenta de gestão ativa.
Organização clara:
Índice detalhado permitindo localizar rapidamente qualquer GSE ou risco específico.
Sumário executivo inicial com lista consolidada de todos os riscos de nível alto identificados na empresa para atenção prioritária da gestão.
Seções claramente separadas por tipo de risco facilitando consulta temática.
Formato editável:
Entregamos inventário em formato Word ou PDF editável além de impresso, permitindo que empresa faça pequenas atualizações quando necessário sob orientação técnica.
Importante: atualizações significativas devem sempre ser validadas por profissional habilitado. Empresa não deve alterar substancialmente inventário sem assessoria técnica.
Perguntas Frequentes sobre Inventário de Riscos
Inventário é o mesmo que PGR?
Não. Inventário é uma seção do PGR. PGR completo contém: identificação da empresa e responsável técnico, metodologia de avaliação, inventário de riscos que é relação de todos os riscos identificados, plano de ação com medidas de controle, indicadores de monitoramento, cronograma de revisão.
Inventário especificamente é a parte que lista e caracteriza os riscos. É componente essencial mas não único do PGR.
Preciso refazer inventário se contratar novo funcionário?
Depende. Se novo funcionário assume função já existente e é alocado em GSE já documentado, não precisa refazer inventário inteiro. Apenas atualizar número de trabalhadores daquele GSE.
Exemplo: Inventário diz “GSE Soldadores – 5 trabalhadores”. Empresa contrata sexto soldador. Basta alterar para “6 trabalhadores”. Riscos continuam os mesmos.
Porém, se novo funcionário exercerá função nova que não existia, é necessário avaliar riscos daquela função e incluir novo GSE no inventário.
Se mudança no quadro é substancial – empresa tinha 50 funcionários e cresceu para 150 em curto período – pode exigir reavaliação mais ampla pois dinâmicas de trabalho e riscos psicossociais provavelmente mudaram.
Inventário precisa ter assinatura de responsável técnico?
Sim. Inventário faz parte do PGR que obrigatoriamente deve ser elaborado e assinado por engenheiro de segurança do trabalho ou médico do trabalho conforme NR-1.
Assinatura deve incluir nome completo, número de registro profissional – CREA para engenheiro ou CRM para médico, número da ART – Anotação de Responsabilidade Técnica específica para aquele trabalho.
Inventário sem assinatura de profissional habilitado não tem validade técnica nem legal.
Como atualizar inventário se mudança foi pequena?
Para mudanças pontuais, não precisa refazer documento inteiro. Pode-se elaborar adendo ou revisão parcial.
Exemplo: Empresa instalou novo compressor que gera ruído. Em vez de refazer todo inventário, elabora adendo: “Adendo 1 ao Inventário de Riscos versão 2.0: Incluído GSE ‘Operador de compressor’ conforme detalhamento abaixo. Demais GSEs permanecem inalterados conforme inventário original. Data do adendo: março/2026. Responsável técnico: Engenheiro Fulano CREA XXXXX ART YYYYY.”
Porém, se mudanças são múltiplas ou substanciais, melhor elaborar nova versão completa do inventário incorporando todas as alterações de forma integrada.
Inventário de 2020 que está tecnicamente correto pode ser mantido?
Não se estiver com mais de dois anos sem revisão. NR-1 exige revisão mínima bienal. Inventário de 2020 em 2026 está há seis anos sem revisão – mesmo que riscos não tenham mudado, documento está formalmente desatualizado.
Além disso, inventário anterior a 2026 certamente não contém riscos psicossociais adequadamente documentados conforme nova exigência, portanto precisa ser atualizado incluindo essa seção.
Solução: revisar inventário de 2020, atualizar data, confirmar que riscos tradicionais permanecem válidos, adicionar seção completa de riscos psicossociais, assinar novamente com ART atual.
Quem pode ter acesso ao inventário?
Inventário de riscos deve ser amplamente divulgado, não é documento sigiloso.
Todos os trabalhadores têm direito de conhecer riscos aos quais estão expostos. Inventário deve estar disponível para consulta por qualquer empregado.
CIPA deve ter acesso irrestrito ao inventário completo como ferramenta de trabalho.
Auditores fiscais do trabalho têm direito de solicitar inventário durante fiscalização.
Peritos judiciais em processos trabalhistas podem requisitar inventário como evidência.
Clientes ou contratantes em alguns setores exigem inventário de fornecedores para avaliação de conformidade em cadeias de suprimento.
Recomenda-se disponibilizar inventário em local acessível como mural, intranet, ou mediante solicitação ao RH ou SESMT.
Próximos Passos: Elabore Inventário Completo
Inventário de riscos robusto e atualizado é base para gestão eficaz de SST e conformidade com NR-1.
Opção 1: Auditoria do Inventário Atual
Se sua empresa já possui inventário, solicite auditoria técnica Climec. Analisamos documento existente identificando lacunas, desatualizações, falta de evidências, omissões especialmente de riscos psicossociais. Você recebe relatório técnico com gaps e recomendações de correção.
Opção 2: Elaboração Completa de Inventário
Contrate serviço de elaboração desde o início: visita técnica presencial, medições necessárias, avaliação de riscos psicossociais, documentação completa com evidências, assinatura de responsável técnico habilitado.
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