Como Enviar Exames Ocupacionais no eSocial (S-2220) em 2026
Postado em: 27/01/2026
Sua empresa realiza centenas de exames ocupacionais por ano mas o envio do S-2220 ainda é feito de forma desorganizada gerando atrasos, inconsistências e risco de multas? O evento S-2220 é um dos mais volumosos do eSocial pois precisa ser enviado para cada exame admissional, periódico, retorno, mudança de função e demissional, totalizando facilmente milhares de eventos anuais em empresas médias. Gestores de RH perdem horas preenchendo manualmente dados que deveriam vir prontos da clínica ocupacional, cometem erros em códigos de exames complementares, perdem prazos de envio e descobrem meses depois que trabalhadores estão sem registro correto de ASO no sistema. A Climec apresenta passo a passo detalhado de como estruturar fluxo eficiente de envio do S-2220, desde agendamento do exame até confirmação do protocolo no eSocial, incluindo checklists de campos obrigatórios e integração com software de folha.
TL;DR: S-2220 deve ser enviado até dia 15 do mês seguinte à realização do exame. Contém dados do trabalhador, tipo de exame, resultado (apto/inapto), exames complementares realizados (código tabela 27), dados do médico. Erros comuns: esquecer exames complementares, informar médico sem CRM válido, não vincular ao S-2240.
Preparação: Antes do Exame
Definir calendário anual de periódicos: Cruzar PCMSO com lista de trabalhadores ativos. Identificar quais funções têm periódico anual, bienal, semestral. Montar cronograma mensal: janeiro 30 periódicos, fevereiro 25 periódicos, março 40 periódicos. Enviar calendário para clínica ocupacional com 60 dias de antecedência.
Comunicar trabalhadores com antecedência: Avisar trabalhador 15 dias antes do vencimento. Agendar data e horário na clínica. Fornecer guia de encaminhamento impressa ou digital contendo: nome completo, CPF, função, riscos aos quais está exposto (informações do S-2240), exames complementares necessários conforme PCMSO.
Garantir que clínica tenha PGR e PCMSO atualizados: Clínica não consegue preencher ASO corretamente sem saber riscos da função. Enviar PGR vigente, PCMSO vigente, e S-2240 do trabalhador para médico coordenador antes dos exames. Médico usa essas informações para definir exames complementares e preencher campo de riscos no ASO.
Conferir cobertura de exames complementares: Se PCMSO exige audiometria, verificar se clínica tem audiômetro e fonoaudiólogo. Se exige espirometria, verificar equipamento e técnico. Se clínica não faz algum exame internamente, definir laboratório parceiro. Tudo isso antes de marcar exames para evitar atrasos.
Durante o Exame: O Que Acontece na Clínica
Recepção e identificação: Trabalhador apresenta documento com foto e guia de encaminhamento. Clínica confere CPF, função, empresa. Se houver divergência, contatar RH imediatamente para corrigir antes de realizar exame.
Anamnese ocupacional: Médico pergunta sobre sintomas atuais, doenças preexistentes, medicamentos em uso, acidentes anteriores, afastamentos. Essa entrevista identifica nexo causal (se sintoma tem relação com trabalho).
Exame clínico: Aferição de pressão arterial, ausculta cardíaca e pulmonar, exame físico geral, avaliação de mobilidade articular (se função exige esforço físico). Médico anota achados em prontuário.
Exames complementares: Conforme PCMSO: audiometria tonal, acuidade visual, exames laboratoriais (hemograma, glicemia, função hepática, função renal), espirometria, eletrocardiograma, raio-X se indicado, exame toxicológico para motoristas, exame psicossocial se função tem risco identificado.
Emissão do ASO: Médico compila resultados clínicos e complementares. Define se trabalhador está APTO ou INAPTO. Preenche ASO em sistema digital ou papel. ASO deve conter: nome e CPF do trabalhador, função, riscos aos quais está exposto, exames complementares realizados e resultados, conclusão (apto/inapto), data do exame, validade do ASO, nome e CRM do médico examinador, nome e CRM do médico coordenador do PCMSO.
Após o Exame: Fluxo de Informações
Clínica envia ASO para empresa: Prazo ideal 2 a 3 dias após exame. Pode ser digital (PDF assinado digitalmente) ou papel. Se clínica tiver sistema integrado, pode enviar arquivo XML compatível com S-2220. ASO digital precisa ter assinatura ICP-Brasil do médico para validade legal.
RH recebe e confere ASO: Verificar se todos campos obrigatórios estão preenchidos. Conferir se riscos listados no ASO correspondem ao S-2240 do trabalhador. Verificar se exames complementares listados estão completos (se PCMSO exigia 5 exames e ASO só lista 4, questionar). Confirmar que médico tem CRM ativo (consultar site do CFM se necessário).
Arquivar ASO fisicamente ou digitalmente: Lei exige guarda de ASO por 20 anos após desligamento do trabalhador. Arquivo físico: pasta individual por trabalhador em arquivo deslizante trancado. Arquivo digital: servidor com backup, acesso restrito, criptografia. ASO é documento médico sob sigilo.
Extrair informações para S-2220: Criar planilha ou usar sistema para organizar dados de todos ASOs recebidos no mês. Colunas: CPF trabalhador, matrícula, tipo exame, data exame, resultado (apto/inapto), CID se inapto, exames complementares (lista com códigos tabela 27), CRM médico examinador, CRM coordenador PCMSO, data validade ASO.
Preenchimento do S-2220: Campo a Campo
Identificação do trabalhador: CPF sem pontos ou traços (apenas números). Matrícula conforme cadastro no S-2200 (admissão). Se trabalhador tem mais de uma matrícula (múltiplos vínculos), usar matrícula do vínculo onde fez o exame.
Tipo de exame: 0 para admissional, 1 para periódico, 2 para retorno ao trabalho, 3 para mudança de risco de função, 4 para demissional. Se marcar errado, pode gerar inconsistência com outros eventos. Exemplo: Se marcar admissional mas trabalhador já está no sistema há 1 ano, rejeita.
Data do exame: Data da realização do exame clínico pelo médico, não data de emissão do ASO. Se exame foi dia 15/02 mas ASO impresso dia 20/02, informar 15/02. Formato DD/MM/AAAA.
Conclusão do exame: Apto (1) ou Inapto (2). Se trabalhador foi considerado apto com restrições, ainda é apto no eSocial. Detalhar restrições no campo observações do ASO físico mas no S-2220 marcar apto. Se inapto, informar CID que motivou inaptidão.
Exames complementares realizados: Campo obrigatório. Lista com código de cada exame conforme tabela 27. Exemplos: 01 audiometria tonal, 02 audiometria vocal, 03 acuidade visual, 05 glicemia, 06 hemograma, 14 espirometria, 20 eletrocardiograma, 27 raio-X tórax. Se não fez nenhum complementar, enviar lista vazia mas não omitir campo. Para cada exame, informar resultado: 1 normal, 2 alterado, 3 não realizado.
Médico responsável PCMSO: Nome completo do médico coordenador do PCMSO da empresa. CRM e UF de registro. Mesmo que exame tenha sido feito por médico terceirizado, coordenador do PCMSO é quem responde legalmente. Campo obrigatório.
Médico examinador: Nome completo do médico que realizou exame clínico. CRM e UF. Pode ser diferente do coordenador. Se exame foi em clínica terceirizada, informar médico da clínica. Se a clínica não informar, solicitar formalmente.
Envio no Sistema do eSocial
Acessar portal do eSocial: Pelo sistema web gov.br/esocial ou através de software de folha que tenha integração. Login com certificado digital da empresa (e-CNPJ ou e-CPF do representante legal).
Navegar até eventos de SST: Menu “Eventos de SST”, submenu “S-2220 – Monitoramento da Saúde”. Clicar em “Novo Evento” ou “Incluir Lote” se for enviar múltiplos de uma vez.
Preencher formulário ou importar arquivo XML: Se preenchimento manual, digitar campo a campo conforme informações coletadas. Se clínica forneceu XML, importar arquivo. Sistema valida automaticamente campos obrigatórios. Conferir todos campos antes de prosseguir. Corrigir erros de validação (campos vazios, CPF inválido, CRM não encontrado).
Enviar evento: Clicar em “Enviar ao eSocial”. Sistema processa e retorna protocolo de recepção. Protocolo é número único que comprova envio. Imprimir ou salvar PDF do protocolo. Guardar junto com ASO do trabalhador.
Conferir situação do evento: Após enviar, evento pode ficar com status “Aguardando processamento” por minutos ou horas. Depois muda para “Processado com sucesso” ou “Rejeitado”. Se rejeitado, ler mensagem de erro, corrigir e reenviar.
Prazo de envio: Até dia 15 do mês seguinte à realização do exame. Exemplo: Exames realizados em fevereiro (qualquer dia de 01/02 a 28/02), enviar todos S-2220 até 15/03. Se dia 15 cair em sábado/domingo/feriado, prorroga para próximo dia útil.
Situações Especiais de Preenchimento
Trabalhador inapto temporariamente: Médico considera inapto por 15 dias para tratamento médico. Após 15 dias, trabalhador faz exame de retorno e é considerado apto. Envio: S-2220 com conclusão inapto (2), CID da doença, data do exame. Após tratamento: S-2220 tipo 2 (retorno) com conclusão apto (1), sem CID, data do novo exame.
Trabalhador com múltiplos vínculos na mesma empresa: Trabalha manhã como auxiliar de produção e tarde como auxiliar administrativo (duas matrículas). Faz exame periódico único que considera ambas funções. Enviar S-2220 para matrícula principal (maior carga horária) ou matrícula onde há exposição a riscos. Se funções tiverem riscos muito diferentes, médico deve fazer dois ASOs separados.
Mudança de função com exame: Trabalhador era auxiliar de escritório (sem riscos) e foi promovido a soldador (com riscos). Deve fazer exame de mudança de função (tipo 3). S-2220 tipo 3 informa novos riscos da função de soldador. Antes de enviar S-2220, empresa deve ter enviado S-2240 informando exposição aos riscos da nova função.
Exame demissional dispensado: Trabalhador fez periódico há 60 dias e está sendo demitido. Portaria 1.218/2024 dispensa demissional se periódico foi há menos de 135 dias e trabalhador não está exposto a riscos químicos/biológicos graves. Empresa não envia S-2220 tipo 4. Usa ASO do periódico recente como demissional. No S-2200 de desligamento, informa data do último ASO.
Trabalhador gestante ou lactante: Grávida deve fazer exame periódico normalmente mas médico avalia se pode continuar na função com riscos. Se médico considerar inapto para função atual devido à gestação, informar CID Z35 (supervisão de gravidez de alto risco). Empresa deve remanejá-la para função sem riscos (não pode demitir). Enviar S-2240 retificador informando nova função temporária sem riscos.
Erros Comuns e Como Evitar
Erro 1 – Esquecer de informar exames complementares: ASO lista audiometria e acuidade visual mas na pressa RH só preencheu tipo de exame e resultado geral. Campo exames complementares ficou vazio. Evento aceito mas pode gerar inconsistência futura. Sempre preencher lista completa mesmo que trabalhosa. Usar tabela 27 impressa para conferência.
Erro 2 – Código de exame errado: Informou código 01 (audiometria tonal) quando correto seria 02 (audiometria vocal). Ou informou código genérico quando existe específico. Sistema aceita mas dado está incorreto. Ministério da Saúde usa dados do S-2220 para estatísticas epidemiológicas. Código errado prejudica pesquisa nacional.
Erro 3 – CRM do médico inválido: Clínica informou CRM mas médico mudou de estado e registrou CRM no novo estado. Empresa enviou CRM antigo. Sistema pode validar com CFM e rejeitar. Sempre confirmar CRM vigente no site do Conselho Federal de Medicina antes de enviar.
Erro 4 – Data do exame incorreta: ASO impresso tem data 20/02 mas exame clínico foi realizado dia 15/02. Empresa informou 20/02 no S-2220. Se houver fiscalização, auditor vai comparar com prontuário da clínica onde consta data real. Pode gerar autuação por informação falsa. Sempre informar data da realização do exame, não data de impressão do documento.
Erro 5 – Não vincular com S-2240: Trabalhador tem S-2240 informando exposição a ruído mas S-2220 não lista audiometria nos exames complementares. Inconsistência evidente. INSS pode questionar em processo de aposentadoria especial. Sempre cruzar riscos do S-2240 com exames do S-2220.
Automação e Integração
Clínica com sistema integrado: Melhor cenário. Clínica tem software que gera XML do S-2220 automaticamente após emitir ASO. Envia arquivo para empresa por email ou disponibiliza em portal. Empresa importa XML direto no sistema de folha. Reduz erros de digitação. Agiliza processo. Investimento: Clínica precisa ter software específico (custo dela) mas empresa economiza horas de trabalho manual.
Sistema de folha com módulo SST robusto: Software da folha já tem campos para receber informações de ASO. RH digita dados uma vez no módulo SST. Sistema gera automaticamente S-2220 com validações. Alerta se faltou exame complementar, se CRM está inválido, se prazo está vencendo. Exemplos: TOTVS, Senior, SAP. Investimento: R$ 500 a R$ 3.000 mensais conforme porte da empresa.
Planilha Excel com macros: Para empresas pequenas sem budget para software caro. Criar planilha com abas: Cadastro de Trabalhadores, Cadastro de Médicos, Registro de ASOs, Geração de XML. Usar macro VBA para validar CPF, verificar se CRM existe no cadastro, gerar arquivo XML no formato do eSocial. Investimento: Tempo de desenvolvimento (20 a 40 horas) ou contratação de consultor (R$ 2.000 a R$ 5.000 projeto único).
API do eSocial: Para empresas grandes com equipe de TI. Desenvolver integração via API do eSocial. Sistema de RH envia eventos automaticamente sem intervenção manual. Requer conhecimento técnico em REST APIs, certificação digital, tratamento de retornos. Investimento: Desenvolvimento interno (80 a 120 horas de programador) ou contratação de software house (R$ 15.000 a R$ 40.000).
Checklist Mensal de Envio
Até dia 5 de cada mês: Solicitar à clínica ocupacional todos ASOs realizados no mês anterior. Conferir se quantidade recebida bate com quantidade de exames agendados. Se faltar ASO, cobrar clínica imediatamente.
Até dia 8: Conferir cada ASO recebido: campos obrigatórios preenchidos, riscos listados correspondem ao S-2240, exames complementares completos, CRM dos médicos válidos. Se houver erro, devolver ASO para clínica corrigir.
Até dia 10: Extrair informações de todos ASOs para planilha ou sistema. Incluir: CPF, matrícula, tipo exame, data, resultado, lista de complementares com códigos tabela 27, CRMs.
Até dia 12: Preencher S-2220 no sistema do eSocial ou software de folha. Se usar importação XML, validar arquivos. Fazer conferência cruzada: S-2220 x ASO x S-2240.
Até dia 13: Enviar lote de eventos. Aguardar processamento. Conferir protocolos de recepção. Identificar eventos rejeitados.
Até dia 14: Corrigir eventos rejeitados e reenviar. Não deixar para dia 15 pois pode faltar tempo se houver muitos erros.
Até dia 15: Confirmar que 100% dos eventos foram enviados e processados. Imprimir relatório consolidado. Arquivar protocolos.
Controle de Pendências
Trabalhadores que faltaram ao exame: Manter lista atualizada. Ligar para trabalhador, remarcar. Se trabalhador recusar sistematicamente, notificá-lo por escrito sobre obrigatoriedade. Recusa injustificada pode gerar advertência (é obrigação trabalhista comparecer). Se trabalh continuar recusando após 3 convocações, considerar medidas disciplinares.
Exames complementares pendentes: Trabalhador fez clínico mas falta audiometria (equipamento quebrou na clínica). Não enviar S-2220 incompleto. Aguardar conclusão de todos exames. Se demora for longa (mais de 15 dias), encaminhar para outro local. ASO só pode ser emitido com exames completos.
ASOs não recebidos da clínica: Cobrar formalmente por email. Estabelecer prazo (48 horas). Se clínica não atender, considerar trocar de fornecedor para próximos exames. Empresa tem prazo legal (dia 15) e não pode depender de clínica desorganizada.
Exames vencidos não realizados: Criar relatório mensal de vencimentos. Antecipar agenda para não acumular. Se vencer muito exame de uma vez (exemplo: 50 periódicos em janeiro porque empresa foi fundada em janeiro), distribuir ao longo do ano nos próximos ciclos. PCMSO pode ter flexibilidade de 30 dias para mais ou menos sem prejuízo.
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Artigo revisado por: Equipe eSocial Climec | Atualizado em Janeiro 2026
Fontes: Manual eSocial versão S-1.2, Tabela 27 – Exames, Portaria MTE 1.131/2025
Próxima revisão: Julho 2026
