Medicina do Trabalho em São Paulo: Serviços Essenciais 2026
Postado em: 27/01/2026
Você precisa contratar serviços de medicina do trabalho para sua empresa em São Paulo mas não sabe a diferença entre clínica ocupacional, SESMT terceirizado e consultoria completa de SST? A medicina do trabalho abrange desde exames ocupacionais obrigatórios (admissional, periódico, demissional) até elaboração de programas complexos (PCMSO, LTCAT, PGR), passando por coordenação médica, gestão de afastamentos e interface com INSS, mas cada empresa tem necessidades diferentes conforme porte, grau de risco e quantidade de trabalhadores. Organizações que contratam apenas “pacote de exames baratos” descobrem que falta coordenação médica adequada gerando ASOs inconsistentes, enquanto outras pagam por SESMT completo quando poderiam terceirizar com economia de 60%. A Climec esclarece quais serviços são realmente obrigatórios, como escolher fornecedor adequado ao porte da empresa, diferenças entre soluções, e investimento necessário.
TL;DR: Serviços essenciais: exames ocupacionais (admissional, periódico, demissional), PCMSO elaborado por médico do trabalho, coordenação médica mensal. Empresas pequenas (até 100) terceirizam tudo. Médias (100-500) terceirizam ou têm médico mensalista. Grandes (500+) podem ter SESMT próprio.
Serviços Básicos Obrigatórios
Exames ocupacionais (NR-7): Admissional antes de iniciar, periódico conforme periodicidade definida (anual/bienal), retorno ao trabalho após afastamento >30 dias, mudança de função com mudança de riscos, demissional até 10 dias após término de contrato. Cada exame gera ASO (Atestado de Saúde Ocupacional) em 2 vias assinado por médico do trabalho.
PCMSO – Programa de Controle Médico (NR-7): Documento que define quais exames fazer para cada função conforme riscos identificados no PGR. Elaborado por médico do trabalho. Revisão anual obrigatória. Inclui relatório anual com estatísticas de saúde, análise de afastamentos, recomendações. Obrigatório para todas empresas com empregados.
Médico coordenador do PCMSO: Médico do trabalho responsável técnico pelo programa. Assina ou co-assina todos ASOs. Supervisiona exames feitos por outros médicos. Emite relatório anual. Participa de inspeções quando possível. Pode ser empregado da empresa, prestador mensal ou vinculado à clínica terceirizada.
Atendimento a acidentes e urgências: Não é obrigatório ter médico no local, mas empresa deve ter procedimento para atendimento. Pequenas empresas: convênio com clínica próxima ou SAMU. Médias/grandes: ambulatório interno com técnico de enfermagem ou enfermeiro. Indústrias de risco: médico em período parcial ou tempo integral conforme SESMT.
SESMT – Quando é Obrigatório
Definição: Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho. Equipe própria da empresa composta por médico do trabalho, engenheiro de segurança, técnicos de segurança, enfermeiro do trabalho, auxiliar de enfermagem. Dimensionamento conforme NR-4.
Tabela de dimensionamento (NR-4): Cruza grau de risco (1 a 4) com número de empregados. Exemplos: Empresa grau 1 (escritório) com 500 empregados: 1 técnico de segurança, 1 enfermeiro. Empresa grau 3 (metalúrgica) com 500 empregados: 1 médico do trabalho (3h/dia), 1 engenheiro de segurança, 2 técnicos, 1 enfermeiro, 1 auxiliar. Empresa grau 4 (construção) com 1000 empregados: 1 médico (6h/dia), 2 engenheiros, 5 técnicos, 1 enfermeiro, 2 auxiliares.
Alternativa – Terceirização: NR-4 permite terceirizar SESMT para empresas especializadas em SST. Empresa contrata consultoria que fornece profissionais conforme dimensionamento. Profissionais visitam periodicamente (diário, semanal, quinzenal ou mensal conforme demanda). Economia: 40% a 60% comparado a SESMT próprio (não paga salários integrais, férias, encargos, infraestrutura).
Quando não precisa de SESMT: Empresas abaixo do mínimo da tabela NR-4. Exemplo: escritório com 80 pessoas (grau 1) não precisa. Mas mesmo sem SESMT obrigatório, empresa DEVE ter PCMSO e fazer exames. Contrata serviços avulsos (clínica para exames, consultoria para PCMSO).
Clínicas Ocupacionais: O Que Oferecem
Serviços típicos: Exames ocupacionais completos (admissional, periódico, retorno, mudança, demissional), exames complementares no local (audiometria, espirometria, acuidade visual, ECG), laboratório próprio ou conveniado (hemograma, glicemia, função hepática/renal), raio-X se necessário (convênio com clínica radiológica), emissão de ASO em 24-48h, envio digital de ASO para empresa.
Médicos disponíveis: Médico do trabalho para realizar exames clínicos e assinar ASOs. Algumas clínicas têm múltiplos médicos (escala) para atender demanda. Clínicas maiores têm especialistas (cardiologista para ergometria, oftalmologista para acuidade visual aprofundada).
Estrutura física: Consultórios para exame clínico, sala de audiometria (cabine acústica), sala de espirometria, sala de coleta de sangue, recepção/espera, banheiros adaptados. Clínicas bem equipadas têm ergometria (esteira), raio-X no local, ultrassom.
Diferenciais: Agendamento online facilitado, horário estendido (até 19h, sábados), localização acessível (próximo a metrô, estacionamento), atendimento corporativo (lotes de exames com desconto), integração com eSocial (gera XML do S-2220), sistema online onde RH acessa ASOs.
Custo médio em São Paulo: Admissional/demissional básico: R$ 100-150. Com audiometria: R$ 140-180. Com espirometria + laboratoriais: R$ 220-300. Periódico geralmente mesmo valor do admissional ou 10% menor. Pacotes corporativos: desconto de 15-25% para volume acima de 50 exames/ano.
Consultoria de SST Completa
O que inclui: Elaboração de documentos (PGR, PCMSO, LTCAT), médico coordenador do PCMSO (visitas mensais ou bimensais), engenheiro de segurança (visitas para inspeções, treinamentos), técnico de segurança (apoio operacional), treinamentos obrigatórios (NR-5 CIPA, NR-35 altura, NR-6 EPIs), gestão de afastamentos (interface com INSS, controle de perícias), controle de vencimentos de exames (alertas ao RH), suporte para fiscalizações (acompanhar auditor fiscal se necessário).
Modalidades de contratação: Avulso (por demanda – elabora PGR uma vez, cobra projeto fechado), mensalidade (valor fixo mensal cobrindo visitas, consultorias, documentos, pequenos treinamentos), por trabalhador (R$ X por trabalhador/mês – comum em empresas 50-200 empregados), full service (inclui tudo – documentos, exames, treinamentos, gestão completa).
Investimento típico: Microempresa (20 empregados): R$ 500-1.200/mês mensalidade + exames conforme demanda. Pequena (50-100): R$ 1.500-3.500/mês. Média (200-500): R$ 5.000-15.000/mês. Grande (1000+): R$ 20.000-60.000/mês ou contratação de SESMT próprio.
Quando vale a pena: Empresas sem conhecimento interno de SST, sem RH estruturado para gerenciar, com rotatividade alta (muitos admissionais/demissionais), expostas a riscos graves (necessitam acompanhamento próximo), em crescimento rápido (contratando muitos, documentos desatualizados).
Telemedicina Ocupacional: Limites Legais
Resolução CFM 2.314/2022: Permite telemedicina em algumas situações mas com restrições importantes para medicina do trabalho. Teleconsulta (consulta por vídeo) é permitida mas NÃO substitui exame presencial obrigatório.
O que pode ser feito remotamente: Orientação a trabalhadores sobre sintomas (trabalhador com dor nas costas liga, médico orienta), análise de documentos e exames (trabalhador envia resultado de exame, médico analisa remotamente), emissão de atestados de acompanhamento (trabalhador já em tratamento, médico renova atestado sem necessidade de presença), reuniões com empresa (médico participa de CIPA por vídeo).
O que NÃO pode ser remoto: Exame admissional inicial (precisa ser presencial – exame físico é obrigatório), exame periódico (também presencial – ausculta, palpação, medição de PA), exame demissional (presencial). Primeira consulta de trabalhador deve ser sempre presencial estabelecendo vínculo. ASO só pode ser emitido após exame presencial.
Risco de irregularidade: Empresa que contrata “telemedicina ocupacional” prometendo exames remotos está descumprindo CFM e NR-7. ASO emitido sem exame presencial não tem validade. Fiscalização identifica facilmente (trabalhador diz que nunca foi examinado presencialmente). Multa + nulidade de todos ASOs.
Uso legítimo: Telemedicina como complemento (não substituto). Exemplo: empresa tem 5 unidades distantes. Médico do trabalho vai presencialmente 1x/mês em cada para exames. Entre visitas, está disponível por telemedicina para orientações, análise de CATs, discussão de casos com gestores locais.
Gestão de Afastamentos e Interface com INSS
Serviço de gestão de afastamentos: Controlar trabalhadores afastados por doença/acidente. Acompanhar perícias do INSS. Orientar trabalhador sobre documentação. Fazer exame de retorno ao trabalho quando INSS der alta. Reabilitar trabalhador para função compatível se necessário (quando retorna com restrição).
Fluxo típico: Trabalhador adoece, traz atestado médico. Primeiros 15 dias: empresa paga. Médico do trabalho avalia: atestado é consistente? doença tem nexo com trabalho (é ocupacional)? Se ocupacional: emitir CAT, afastamento é acidentário. Após 15 dias: trabalhador agenda perícia no INSS. INSS concede auxílio-doença (B31 comum ou B91 acidentário). Médico do trabalho acompanha: a cada 30 dias verifica situação (ainda afastado? recebeu alta?). INSS dá alta: trabalhador agenda exame de retorno. Médico avalia se está apto.
Reabilitação profissional: Trabalhador retorna com restrição permanente (ex: não pode levantar peso >10kg). Médico emite ASO com restrições. Empresa deve readaptar (mudar função ou adaptar posto). Se não houver função compatível, empresa pode solicitar reabilitação profissional no INSS. Até INSS resolver, trabalhador fica afastado (auxílio-doença mantido).
Custo de gestão: Consultoria especializada cobra R$ 50-150 por caso gerenciado. Vale a pena para empresas com múltiplos afastamentos mensais (acima de 10). Reduz tempo de RH, evita erros (deixar de emitir CAT, perder prazo de perícia).
Treinamentos de Saúde Ocupacional
Treinamentos obrigatórios relacionados a medicina: Primeiros socorros (NR-7 recomenda, algumas NRs específicas obrigam), uso de EPIs (NR-6 obriga treinamento), ergonomia (NR-17 exige orientação se empresa tem programa), prevenção de LER/DORT (recomendável para funções de risco), ginástica laboral (não obrigatória mas eficaz na prevenção).
Quem ministra: Médico do trabalho (primeiros socorros, prevenção de doenças), enfermeiro do trabalho (primeiros socorros, ergonomia), fisioterapeuta (ergonomia, ginástica laboral), educador físico (ginástica laboral), técnico de segurança (uso de EPIs).
Formatos: Presencial em turmas (10-30 pessoas, 2-4 horas), in company (instrutor vai na empresa), online ao vivo (turmas por vídeo, 2-3 horas), EAD assíncrono (trabalhador faz no próprio ritmo, 1-2 horas). Presencial é mais eficaz para práticos (primeiros socorros com manequim). Online funciona para teóricos.
Investimento: Primeiros socorros presencial: R$ 80-150 por pessoa (turma mínima 10). Ergonomia: R$ 60-100 por pessoa. Ginástica laboral: R$ 800-2.000/mês para empresa (profissional vai 2-3x/semana, 15min de atividade com grupo).
Como Escolher Fornecedor de Medicina do Trabalho
Critérios essenciais: Médico do trabalho registrado no CRM com RQE (Registro de Qualificação de Especialista) – conferir no site do CRM, estrutura adequada (consultório, equipamentos calibrados, audiometria em cabine acústica), localização acessível (trabalhadores conseguem chegar facilmente), agilidade (ASO em até 48h, atendimento de urgência em até 24h), referências (pedir contatos de clientes atuais).
Sinais de alerta (evitar): Preço muito abaixo do mercado (abaixo de R$ 80 por exame admissional completo – pode ser serviço superficial), médico sem especialização ou CRM irregular (conferir sempre), promessa de telemedicina para exames obrigatórios (ilegal), falta de estrutura (realiza exames em sala improvisada), demora excessiva (ASO leva 10+ dias).
Visita técnica antes de contratar: Agendar visita à clínica. Ver instalações. Conversar com médico coordenador. Entender fluxo. Perguntar sobre integrações (eSocial, sistema da empresa). Solicitar modelo de ASO (verificar se contém todos campos obrigatórios). Pedir referências de 3 clientes atuais.
Contrato formal: Formalizar em contrato: escopo de serviços (quais exames incluídos), valores (tabela de preços por tipo de exame), prazos (entrega de ASO, elaboração de PCMSO), responsabilidades (quem agenda trabalhador, quem envia ASO), vigência (12 meses com renovação automática ou não), rescisão (aviso prévio de 30-60 dias), garantias (refazer exame se erro, substituir médico se ausente).
Integração RH e Medicina do Trabalho
Fluxo de admissão: RH aprova candidato na seleção. RH emite guia de encaminhamento com: nome, CPF, função, riscos da função (conforme PGR), exames complementares necessários (conforme PCMSO). RH envia guia para clínica e agenda data para candidato. Candidato vai à clínica, faz exame. Clínica emite ASO e envia para RH (email, sistema). RH recebe ASO, verifica conclusão (apto/inapto). Se apto, finaliza admissão (contrato, CTPS, eSocial S-2200).
Controle de periódicos: Mensalmente, RH verifica vencimentos (planilha ou sistema). RH envia lista de trabalhadores com periódico vencendo para clínica. Clínica agenda trabalhadores (liga diretamente ou RH faz convocação interna). Trabalhadores comparecem ao longo do mês. Clínica envia ASOs conforme realizados. RH recebe, arquiva, envia S-2220 ao eSocial.
Gestão de afastamentos: Trabalhador traz atestado. RH registra afastamento (sistema de ponto, folha). RH envia cópia de atestado para médico do trabalho avaliar nexo causal. Se médico indicar CAT, RH emite. Quando trabalhador retornar, RH agenda exame de retorno. Após exame e ASO apto, RH libera retorno.
Comunicação contínua: Reunião mensal RH + médico coordenador + CIPA. Pauta: casos de afastamento do mês, doenças detectadas em periódicos, análise de indicadores (absenteísmo, afastamentos por CID), ações preventivas a implementar, cronograma de treinamentos.
Investimento Total Anual: Simulações
Microempresa (10 empregados, grau risco 1): PCMSO elaboração inicial: R$ 800. Médico coordenador (4 visitas/ano): R$ 400. Admissionais/demissionais (estimados 5 por ano): R$ 750. Periódicos (5/ano – metade bienal): R$ 625. Treinamentos: R$ 300. Total ano 1: R$ 2.875. Anos seguintes (sem PCMSO inicial): R$ 2.075/ano.
Pequena empresa (50 empregados, grau 2): PCMSO inicial + revisões: R$ 2.500. Coordenação mensal: R$ 6.000. Exames (15 admissões, 25 periódicos): R$ 6.000. Treinamentos: R$ 3.000. Controle de afastamentos (5 casos): R$ 500. Total: R$ 18.000/ano ou R$ 1.500/mês.
Média empresa (200 empregados, grau 3): PCMSO: R$ 5.000. Coordenação: R$ 18.000. Exames (50 admissões, 100 periódicos com complementares): R$ 30.000. Treinamentos: R$ 8.000. Afastamentos (20 casos): R$ 2.000. Consultorias pontuais: R$ 5.000. Total: R$ 68.000/ano ou R$ 5.600/mês.
Grande empresa (1000 empregados, grau 4): Opção A – SESMT próprio: Salários (médico 6h, engenheiro, 3 técnicos, enfermeiro): R$ 45.000/mês. Encargos (80%): R$ 36.000. Infraestrutura: R$ 5.000. Total: R$ 86.000/mês ou R$ 1.032.000/ano. Opção B – Terceirização completa: R$ 60.000/mês ou R$ 720.000/ano (economia de 30%).
Tendências e Inovações 2026
Saúde mental corporativa: Empresas ampliando além do obrigatório. Programas de apoio psicológico (PAE), terapia online subsidiada, treinamento de líderes em saúde mental, ambientes de descompressão, políticas de bem-estar.
Inteligência artificial: Sistemas que analisam dados de ASOs identificando padrões (setor X tem 3x mais perda auditiva – investigar ruído), predizem afastamentos (trabalhador com múltiplos atestados curtos – risco de burnout), sugerem ações preventivas.
Wearables ocupacionais: Dispositivos vestíveis monitorando sinais vitais (frequência cardíaca, temperatura corporal), postura (sensores em coluna detectando flexões excessivas), exposição (dosímetros de ruído pessoais conectados). Dados alimentam PCMSO para decisões.
Telemedicina complementar (dentro da legalidade): Não substitui exames mas complementa. Trabalhador com dúvida sobre medicamento consulta médico do trabalho por app. Médico orienta remotamente. Reduz idas desnecessárias à clínica.
Certificação de saúde digital: Blockchain para certificados médicos. ASO emitido grava hash na blockchain (imutável). Trabalhador tem certificado digital em app. Qualquer empresa futura valida autenticidade instantaneamente. Reduz fraudes.
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