NR-1 Atualizada 2026: Riscos Psicossociais Obrigatórios
Postado em: 27/01/2026
Sua empresa ainda não incluiu avaliação de fatores psicossociais no GRO porque não sabe que a Portaria MTE 1.419/2025 tornou obrigatória a identificação e controle de riscos relacionados à saúde mental? A atualização da NR-1 em maio de 2025 incorporou definitivamente os riscos psicossociais ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, exigindo que todas empresas avaliem fatores como carga de trabalho excessiva, pressão temporal, assédio moral, falta de autonomia e conflitos interpessoais, com prazo final de adequação em 26 de maio de 2026. Organizações que ignoram essa mudança mantêm GRO e PGR desatualizados, deixam de monitorar saúde mental no PCMSO, acumulam afastamentos por transtornos mentais sem gestão preventiva e enfrentam multas de R$ 6.708,08 por trabalhador exposto a riscos não gerenciados. A Climec detalha exatamente o que mudou na NR-1, como identificar fatores psicossociais, ferramentas de avaliação validadas, medidas de controle eficazes e cronograma de adequação.
TL;DR: NR-1 incluiu riscos psicossociais em maio/2025. Prazo de adequação até 26/05/2026. Empresas devem avaliar fatores organizacionais que afetam saúde mental (sobrecarga, pressão, assédio, falta de reconhecimento). Usar questionário COPSOQ-BR ou similar. Implementar controles (adequação de metas, pausas, capacitação de líderes).
Mudança na NR-1: O Que Foi Incluído
Portaria MTE 1.419 de 26/05/2025: Alterou NR-1 item 1.5.4.4 incluindo alínea “e”: “A organização deve identificar os perigos e avaliar os riscos à segurança e saúde no trabalho levando em consideração: a) riscos físicos; b) riscos químicos; c) riscos biológicos; d) riscos ergonômicos; e) fatores de risco psicossocial.”
Definição oficial: Anexo II da NR-1 define fatores psicossociais como “aspectos da organização do trabalho, do ambiente social e físico, e das interações humanas que têm potencial de causar danos à saúde física e mental dos trabalhadores.”
Prazo de adequação: 12 meses a partir da publicação. Publicação: 26/05/2025. Prazo final: 26/05/2026. Empresas têm até essa data para atualizar GRO/PGR incluindo avaliação de psicossociais.
Obrigatoriedade universal: Todas empresas com empregados CLT, independente de porte ou grau de risco. Micro, pequena, média, grande – todas devem avaliar. Não há exceção por tamanho ou setor.
Fatores Psicossociais: Lista Oficial
NR-1 Anexo II lista 8 categorias:
1. Exigências do trabalho: Quantidade de trabalho excessiva (sobrecarga), trabalho insuficiente (subcarga/tédio), ritmo de trabalho acelerado, prazos irrealistas, conflito de demandas simultâneas, necessidade de esconder emoções (trabalho emocional).
2. Organização do trabalho: Falta de clareza sobre responsabilidades (ambiguidade de papel), conflito de papéis (demandas contraditórias), falta de participação em decisões, falta de autonomia para organizar próprio trabalho, imprevisibilidade de tarefas, monotonia/repetitividade sem variação.
3. Relações sociais e liderança: Conflitos com colegas, conflitos com superiores, falta de apoio de colegas/chefes, liderança autoritária ou ausente, comunicação precária, isolamento social, assédio moral (humilhações repetidas), assédio sexual.
4. Reconhecimento e perspectivas: Falta de reconhecimento pelo trabalho realizado, desequilíbrio entre esforço e recompensa, ausência de perspectiva de crescimento profissional, tratamento injusto/desigual, falta de feedback sobre desempenho.
5. Conflito trabalho-vida pessoal: Jornadas excessivas que impedem vida familiar/social, impossibilidade de conciliar trabalho e cuidado (filhos, idosos), demandas de trabalho fora do horário (ligações, mensagens à noite/finais de semana), viagens frequentes, turnos rotativos que desorganizam rotina.
6. Insegurança no trabalho: Medo de demissão iminente, instabilidade contratual (contratos temporários sucessivos), insegurança sobre continuidade da empresa, mudanças organizacionais frequentes sem comunicação, incerteza sobre futuro do emprego.
7. Violência no trabalho: Violência física de clientes/público, ameaças, intimidação, violência psicológica, trabalho solitário em locais perigosos (vigilância noturna, motoristas), atendimento a público agressivo sem suporte.
8. Valores no trabalho: Conflito entre valores pessoais e exigências do trabalho (ter que fazer algo contra princípios éticos), falta de sentido/propósito no trabalho, sentimento de inutilidade ou desperdício de competências.
Como Avaliar Fatores Psicossociais
Métodos qualitativos – Entrevistas e grupos focais: Conversar com trabalhadores individualmente ou em pequenos grupos. Perguntas abertas: Como você descreveria sua carga de trabalho? Sente que tem tempo suficiente para realizar tarefas com qualidade? Como é o relacionamento com seu gestor? Sente reconhecimento? Transcrever falas, identificar padrões, categorizar por fator de risco.
Métodos quantitativos – Questionários validados: COPSOQ-BR (Copenhagen Psychosocial Questionnaire – versão brasileira): 87 questões divididas em 6 dimensões. Respondido anonimamente online ou papel. Gera scores por dimensão. Identifica setores/funções com maior risco. JSS (Job Stress Scale): versão reduzida, 17 questões sobre demanda-controle-apoio social. QWL (Quality of Working Life): avalia qualidade de vida no trabalho em múltiplas dimensões.
Análise de indicadores organizacionais: Taxa de absenteísmo por setor (comparar setores, identificar discrepantes), afastamentos por CID F (transtornos mentais) – se setor tem 3x mais afastamentos F que média, há problema, turnover elevado (rotatividade acima de 20% ao ano sugere insatisfação), queixas formais registradas (canal de denúncia, sindicato, RH), acidentes por desatenção/fadiga.
Aplicação do questionário COPSOQ-BR passo a passo: Passo 1: Definir amostra (todos trabalhadores ou amostra representativa de no mínimo 30% por setor). Passo 2: Explicar objetivo (avaliar condições de trabalho, não avaliar desempenho individual). Garantir anonimato absoluto. Passo 3: Disponibilizar questionário (online via Google Forms/similar ou impresso). Prazo 10-15 dias para responder. Passo 4: Coletar respostas (mínimo 60% de taxa de resposta para validade). Passo 5: Calcular scores por dimensão conforme manual do COPSOQ. Passo 6: Identificar dimensões com score crítico (acima de percentil 75 = alto risco). Passo 7: Análise por setor/função para localizar problemas.
Integração com PGR e PCMSO
PGR deve incluir seção de riscos psicossociais: Após seções de riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos, adicionar seção “5. Fatores de Risco Psicossocial”. Conteúdo: metodologia de avaliação usada (COPSOQ, entrevistas, indicadores), resultados por setor/função (scores, principais fatores identificados), avaliação de risco (baixo/médio/alto) para cada fator, medidas de controle propostas (plano de ação).
PCMSO deve prever monitoramento de saúde mental: Exames periódicos devem incluir avaliação de saúde mental quando PGR identificar riscos psicossociais altos. Médico do trabalho aplica triagem (SRQ-20 ou similar). Se positivo, entrevista aprofundada. Encaminhamento para psicólogo/psiquiatra quando necessário. Não é tratamento (papel do médico do trabalho não é tratar saúde mental) mas detecção e encaminhamento.
Fluxo integrado: PGR identifica setor X com alto risco psicossocial (sobrecarga + pressão temporal). PCMSO define: trabalhadores do setor X farão triagem de saúde mental no periódico. Empresa implementa medidas do PGR: revisão de metas, contratação de mais 2 pessoas para setor, capacitação de gestor em liderança. Próxima avaliação COPSOQ (1 ano depois) verifica se scores melhoraram.
Medidas de Controle Para Riscos Psicossociais
Hierarquia aplicada ao psicossocial: Assim como riscos físicos/químicos, aplicar eliminação > substituição > controles coletivos > controles administrativos > EPIs (proteção individual).
Eliminação (nível organizacional): Eliminar fonte do problema. Metas impossíveis: revisar e tornar realistas. Jornadas excessivas: ajustar para 8h/dia sem horas extras habituais. Conflito de papéis: redefinir responsabilidades claramente. Trabalho isolado perigoso: reorganizar para duplas.
Controles coletivos (nível de equipe): Pausas programadas coletivas (microintervalos de 10min a cada 2h), rodízio de funções (evitar monotonia), reuniões de equipe semanais (melhorar comunicação), espaços de convivência adequados (refeitório, copa), programas de integração (reduzir conflitos).
Controles administrativos (políticas e procedimentos): Política de tolerância zero a assédio (escrita, divulgada, aplicada), canal de denúncia confidencial (terceirizado para garantir imparcialidade), capacitação de gestores em liderança humanizada, feedback estruturado (avaliação de desempenho com devolutiva construtiva), flexibilidade de horário quando possível, teletrabalho opcional para funções compatíveis.
Apoio individual (nível do trabalhador): Programa de Apoio ao Empregado (PAE) com atendimento psicológico gratuito, ginástica laboral, atividades de relaxamento (meditação, yoga), treinamento em gestão de estresse, grupos de apoio entre pares (para profissões com alta carga emocional como saúde, segurança).
Setores Prioritários Para Avaliação
Call center / Telemarketing: Pressão por metas numéricas, monitoramento constante de tempo e qualidade, script rígido (falta de autonomia), clientes agressivos, monotonia. Medidas: flexibilizar script, pausas programadas rigorosas, suporte psicológico, treinamento em inteligência emocional.
Saúde (hospitais, clínicas): Carga emocional elevada (lidar com sofrimento e morte), jornadas longas/plantões, trabalho noturno, risco de violência de pacientes/acompanhantes, sobrecarga por falta de pessoal. Medidas: ajustar escalas, apoio psicológico especializado, debriefing após eventos críticos.
Educação (professores): Salas superlotadas, indisciplina de alunos, violência (bullying contra professor), pressão por resultados, desvalorização profissional, sobrecarga de trabalho burocrático. Medidas: suporte de equipe multidisciplinar, capacitação em manejo de sala, valorização/reconhecimento.
Transporte (motoristas profissionais): Jornadas extensas, trânsito estressante, isolamento social, pressão por pontualidade, insegurança (risco de assaltos), sedentarismo forçado. Medidas: jornadas adequadas à lei, pausas obrigatórias, comunicação regular com base, segurança patrimonial.
Vigilância / Segurança privada: Trabalho noturno e solitário, risco constante de violência, monotonia intercalada com picos de tensão, desvalorização social. Medidas: duplas sempre que possível, comunicação com central, treinamento em gestão de conflitos, reconhecimento.
Varejo (vendedores, caixas): Metas de vendas pressionantes, clientes agressivos, monotonia (caixas), jornadas em pé, ausência de pausas adequadas. Medidas: metas realistas, treinamento em atendimento difícil, pausas garantidas, rodízio de funções.
Processo de Implementação: Cronograma
Janeiro-Março/2026: Capacitação interna sobre riscos psicossociais (gestor de SST, CIPA, liderança). Definição de metodologia de avaliação (qual questionário usar, quem aplicará). Contratação de consultoria se necessário. Aprovação de orçamento para ações corretivas.
Abril/2026: Aplicação de questionário COPSOQ-BR ou similar a todos trabalhadores. Prazo 15 dias para resposta. Tabulação e análise de resultados. Identificação de setores críticos.
Maio/2026 (antes do prazo 26/05): Atualização formal do PGR incluindo seção de riscos psicossociais com resultados da avaliação. Elaboração de plano de ação com medidas de controle priorizadas. Atualização do PCMSO incluindo triagem de saúde mental para funções de risco. Apresentação para CIPA e gestão. Divulgação para trabalhadores (sem expor dados individuais).
Junho-Dezembro/2026: Implementação gradual das medidas do plano de ação. Capacitação de gestores (junho-julho). Revisão de metas e processos (agosto-setembro). Implementação de pausas e rodízios (outubro). Lançamento de programa de apoio psicológico (novembro).
Janeiro/2027: Reavaliação anual. Aplicar questionário novamente. Comparar com resultados de 2026. Verificar se ações foram eficazes (scores melhoraram?). Ajustar plano de ação para próximo ano.
Erros Comuns na Implementação
Erro 1 – Apenas incluir parágrafo genérico no PGR: PGR tem frase: “A empresa avalia riscos psicossociais conforme NR-1”. Mas não descreve metodologia, não apresenta resultados, não define ações. Fiscalização considera insuficiente. Exige avaliação real.
Erro 2 – Aplicar questionário mas não agir: Empresa faz COPSOQ, identifica problemas graves, mas não implementa nenhuma medida corretiva. Trabalhadores responderam questionário criando expectativa de melhoria. Frustração aumenta. Além disso, fiscalização pode considerar descumprimento (identificou risco mas não controlou).
Erro 3 – Responsabilizar trabalhadores: Empresa oferece apenas “palestra de gestão de estresse” colocando responsabilidade no trabalhador de lidar com pressão. Não muda organização do trabalho. Abordagem incorreta. NR-1 exige controle na FONTE (organização) não no indivíduo.
Erro 4 – Quebrar anonimato: Aplicar questionário identificado (com nome) ou usar software que permite rastreamento. Trabalhadores não respondem honestamente com medo de retaliação. Resultados não refletem realidade. Anonimato é essencial.
Erro 5 – Não envolver liderança: Gestores diretos não são capacitados, não entendem importância, boicotam implementação de medidas (“não tenho tempo para pausas programadas, produção tem que continuar”). Sem comprometimento de liderança, programa falha.
Fiscalização e Penalidades
Como auditor fiscal verifica: Solicita PGR. Verifica se há seção de riscos psicossociais. Pergunta qual metodologia foi usada. Solicita evidências (questionários respondidos, atas de reunião, relatórios de análise). Verifica se plano de ação foi implementado (pede comprovantes: lista de presença de treinamentos, atas de CIPA discutindo tema, registros de pausas).
Multas aplicáveis: Ausência total de avaliação de psicossociais: multa grave, R$ 1.610,12 a R$ 6.708,08 por trabalhador exposto. Avaliação superficial (apenas menção genérica sem metodologia): multa moderada, R$ 805,06 por trabalhador. Identificou riscos mas não implementou controles: multa grave agravada, R$ 6.708,08 por trabalhador.
Multiplicadores: Empresa com 200 trabalhadores, auditor constata ausência de avaliação psicossocial. Multa potencial: R$ 6.708,08 x 200 = R$ 1.341.616. Na prática, fiscalização costuma aplicar multa por infração (não individual por trabalhador) mas valores são substanciais mesmo assim.
Casos de afastamento por transtorno mental: Se empresa tem múltiplos afastamentos CID F (ansiedade, depressão, burnout) E não fez avaliação de riscos psicossociais, auditor pode estabelecer nexo causal presumido. Agrava multas. Pode caracterizar negligência grave.
Benefícios da Implementação Adequada
Redução de absenteísmo: Empresas que implementaram gestão de riscos psicossociais reportam redução de 20% a 40% em afastamentos por transtornos mentais. Economia direta (não paga primeiros 15 dias) e indireta (não precisa contratar substituto).
Aumento de produtividade: Trabalhadores com saúde mental preservada são mais focados, cometem menos erros, têm mais criatividade. Estudos mostram aumento de 15% a 25% em produtividade após implementação de medidas.
Retenção de talentos: Turnover diminui quando ambiente é saudável. Economia com recrutamento, seleção, treinamento de substitutos. Preservação de conhecimento organizacional.
Clima organizacional: Pesquisas de clima melhoram. Trabalhadores sentem que empresa se importa com bem-estar. Aumenta engajamento, comprometimento, senso de pertencimento.
Prevenção de processos trabalhistas: Trabalhador que desenvolve transtorno mental por sobrecarga pode processar por doença ocupacional. Indenizações variam de R$ 50.000 a R$ 300.000. Ter avaliação e controle de riscos psicossociais é defesa contra acusação de negligência.
Responsabilidade social corporativa: Empresas que cuidam de saúde mental de trabalhadores melhoram reputação. Atrai melhores profissionais. Facilita certificações (ISO 45001 – gestão de SST).
Recursos e Ferramentas Disponíveis
COPSOQ-BR completo: Disponível gratuitamente em site do Ministério da Saúde e FIOCRUZ. Manual de aplicação, questionário em português validado, planilha de tabulação, tabelas de referência para interpretação de scores.
Guia de boas práticas: OIT (Organização Internacional do Trabalho) publicou guia “Riscos Psicossociais e Estresse no Trabalho” disponível gratuitamente. Ministério do Trabalho tem cartilhas sobre assédio moral, saúde mental no trabalho.
Capacitação online: Fundacentro oferece cursos EAD gratuitos sobre riscos psicossociais, ergonomia organizacional. SESI/SENAI têm cursos pagos (R$ 200 a R$ 500) sobre gestão de SST incluindo psicossociais.
Consultorias especializadas: Psicólogos organizacionais, ergonomistas, consultores de SST especializados em fatores humanos. Investimento: R$ 5.000 a R$ 30.000 para avaliação completa + plano de ação em empresa média.
Fale com a Climec
Unidade Santo Amaro: Av. Adolfo Pinheiro, 1000, 10º andar, CJ. 100
Unidade Alphaville: Alameda Araguaia, 1293, 7º andar, CJ. 708
Telefone: (11) 5511-4043
